As coisas são como são
A pergunta é: você consegue aceitar ou passa boa parte do tempo tentando justificá-las?
Pode soar estranho no começo, mas costuma sofrer mais quem insiste em lutar contra situações que não controla e contra as emoções que vêm junto com elas.
Com bastante frequência, eu vejo a esquiva aparecer como estratégia. Não porque a pessoa não saiba o que está acontecendo, mas porque aceitar dói. O processo de aceitação traz desconforto e, convenhamos, fugir dele parece muito mais fácil.
Aí a gente muda o foco. Em vez de encarar os fatos como eles são, passa a procurar explicações sem fim: por que o outro fez isso, o que poderia ter sido diferente, onde foi que tudo começou e por aí vai.
Só que ocupar a mente com esses porquês, por mais compreensível que seja, acaba desviando a atenção do que realmente importa: do que te aflige agora e do que pode ser feito a partir disso.
Algumas coisas simplesmente são.
E nem tudo precisa de explicação.
Às vezes, o que pede é aceitação.
Não resignação passiva, mas reconhecimento da realidade.
Tenho pensado que, no fim, o que mais pesa não é o que acontece, mas o jeito como a gente recebe, acolhe e tenta lidar com aquilo.
Não pra atropelar valores, nem ignorar limites, muito menos pra virar refém. Mas pra perceber que o olhar muda o impacto e que os porquês que vêm de fora raramente alteram o que já foi feito.
O que costuma importar mais é o cuidado que a gente escolhe ter consigo depois.