Não é tanto sobre o que sinto, é mais sobre o que faço

A gente costuma esconder, de si e dos outros, os sentimentos que aprendeu a chamar de errados. Como se sentir aquilo denunciasse alguma coisa feia sobre quem somos.
E nisso a gente esquece de uma coisa básica: entre sentir e agir existe um espaço enorme.

Não é o que você sente que te define.
É o que você decide fazer com o que sente.

Esses dias eu ouvi um podcast sobre emoções comuns que viraram tabu. E isso me fez lembrar de algumas experiências pessoais, de momentos em que me julguei uma pessoa ruim só por reconhecer em mim uma emoção “proibida”: a inveja.
Sim. Inveja. Pode respirar.

O tempo e as histórias que escuto de outras pessoas me ajudaram a entender que a inveja, como qualquer outra emoção, não aparece à toa. Ela costuma surgir pra apontar alguma coisa sobre nós. Talvez um desejo engavetado. Talvez uma comparação mal digerida. Talvez algo que a gente vem evitando olhar.

No fim das contas, não é sobre sentir inveja.
Sentir, a gente sente. Não tem muito como mandar o cérebro parar, né?

A questão é o que você faz com isso.

E aqui vai um spoiler meio antipático: fingir que essa emoção não existe não resolve. Pelo contrário. Ela vai te corroendo aos poucos, em silêncio.

Existe uma dor grande quando a gente esbarra em sentimentos que não queria ter. Dói sentir. E dói perceber a própria imperfeição. Duas dores pelo preço de uma.

E, seguindo nessa lógica, talvez se a gente só fizesse as pazes com essas emoções, não para gostar delas, mas para entendê-las, reduziríamos a dor pela metade. Quem sabe?