O ideal anula o possível

Por que a gente tem tanto medo de tentar?
Por que que dá tanto medo de dar a cara a tapa?

Observo, aos montes, o quanto nessa tendência de não aceitar as próprias limitações, a gente cria planos perfeitos pra tentar se sentir seguro. No fundo, é mais confortável viver dentro da própria mente do que se arriscar na imprevisibilidade da vida, né?

O problema é que essa escolha se apoia numa falsa sensação de controle.
Tudo aquilo que é idealizado vive bem nas teorias.
E a vida… a vida é prática demais pra isso.

Planos perfeitos só existem na idealização.
A vida real tem buraco, imprevisto, tropeço.
E também tem sucesso, alegria, excitação.
Altos e baixos. Nada linear.

Pra mim, é como se entre o ideal e a realidade existisse uma ponte.
Uma ponte que assusta.
Porque a nossa mente costuma entender que, se não for ideal, nada vai ser suficiente.

E, puts… se tem algo que o ser humano quer é pertencer.
E, se não for suficiente, será que somos excluídos? Rejeitados? Menos amados?
Mesmo que isso não seja real, é assim que a mente entende.
Soa como uma ameaça ao pertencimento.

Tem que ser daquele jeitinho.
Bem pensado, bem planejado, seguro.
Pelo menos é isso que a gente costuma acreditar.

Só que é justamente esse ideal que anula qualquer outro plano possível.
Ele não deixa espaço pro possível acontecer.

E aqui vai uma notícia, talvez já conhecida, mas ainda assim bem inconveniente:
é humanamente impossível ser bom em todas as coisas.
Às vezes, é vestir a roupa que dá… e ir.

O possível nem sempre vai agradar as suas expectativas.
E talvez o ponto seja esse: não diminuir as ações, mas diminuir as próprias expectativas.
Ou, quando isso não for possível, alinhá-las à realidade que se apresenta, em vez de alimentá-las com pensamentos.

Essa lógica do “se não for perfeito, não faço” ou “se não for do jeito que eu imaginei, então não vai ser” costuma paralisar muito mais do que fazer do jeito que dá.

E ó, se o olhar continuar preso ao ideal,
nenhuma oportunidade possível vai parecer suficiente pra ser celebrada.