Tirar férias da coragem?

Tenho pensado bastante nesse cansaço que costuma aparecer no fim do ano. A rotina vira uma corrida, o trabalho aperta, a família demanda, os relacionamentos pedem atenção, o corpo implora por descanso. E a mente… bom, a mente já não sabe mais como avisar que precisa de silêncio.

Todo dia a gente veste a coragem e vai. Mesmo cansada. Mesmo com medo. Às vezes chorando, às vezes rindo, quase sempre no automático. A gente continua apesar de tudo.
E sejamos honestas: isso cansa demais.

Tem dias em que tudo o que eu queria era poder largar essa tal valentia. Nem que fosse só por um dia. Ficar jogada no sofá, vendo uma série qualquer, com uma mente que não me cobra decisão, atitude, ação. Só estar.

Mas aí vem o ponto difícil: um dia sem coragem é um dia em que a gente aceita que não dá conta de tudo. Que somos insuficientes em alguns momentos. Que, sim, vamos ser covardes às vezes.
Covardes. Palavra feia, eu sei. Mas talvez ela só fale da ausência de ação. E não é exatamente isso que a gente anda precisando? Dar um tempo desse “agir” constante que suga a nossa energia?

Porque não basta dar conta de tudo. A gente também se cobra ser excelente em tudo. Receita perfeita pro esgotamento.

Talvez a gente precise aprender a não ir sempre pelo caminho mais arriscado. Parar de se exigir coragem o tempo inteiro.

Talvez o aprendizado seja aceitar que não dá pra ser forte o tempo todo.

E isso não te enfraquece.
Só te humaniza.